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23 de mar de 2012

O tapete azul da sala


Recebi hoje uma encomenda, logo pela manhã, mal acordei, já estavam batendo a minha porta. Lá fora, um enorme caminhão podia ver pela janela de cortinas abertas, adoro receber os primeiros raios de Sol na cara, era de uma empresa de eletrodomésticos, bastante conhecida na região, de bons preços e ótimo atendimento. Fazia um dia lindo, o Sol já estava alto, talvez umas l0:00hs da manhã, confesso que acordo sempre bem cedo, ao raiar do dia, junto com o canto dos pássaros, na árvore dos fundos do quintal, naquela mangueira, que tenho que podar os galhos mas, a preguiça não deixa.
- Calma senhores! Já vou atendê-los!
Tenho que me apressar, coloco uma bermuda que tinha deixado aos pés da cama, não me agrada dormir vestido, acho incômodo, mesmo nas noites mais frias, apenas uma colcha me aquece, quando "ela" não está aqui.

O que deve ser? Não me lembro de ter comprado nada. Ando meio ruim de grana ultimamente muitos medicamentos que o posto de saúde não me forneceu na última consulta que fui, tive gastos a mais este mês na farmácia, tenho que apertar o cinto, que na verdade nem tenho não uso isso. Atravesso a pequena sala e destranco a porta, não é seguro dormir sem trancá-la, hoje em dia há tanta violência, moro sozinho agora, nesta estância, um lugar lindo, cheio de pastos e muita grama variada. Altas árvores pela estrada de acesso que sobe a pequena colina.
- Calma!, Já estou abrindo aporta!
Gente apressadinha, também pudera, têm tantas entregas para fazerem, mas podiam ser mais cordiais, e não esmurrarem a porta, reclamar com a empresa eu vou.
- Pois não! O que me trazem!
- Bom dia meu senhor! Temos uma entrega!
- O que é?
- É um tapete grande de sala.
- Tudo bem! Tem que pagar alguma coisa?
- Não senhor! É só entregar.
- Deixa ver a nota fiscal, por favor! Não me lembro de ter comprado nada! Hum! Está em nome dela...,
- Como disse!
- Tudo bem, podem descarregar!

Tenho que agradecer depois, realmente estava precisando cobrir o chão da sala, velhas tábuas do assoalho, já estavam precisando de um verniz novo. E o verniz anda tão caro, só preciso de uma camada de cera incolor e pronto, coloco o tapete azul na sala, a cor é bem agradável, azul acalma. Deve ter sido a última vez que ela esteve aqui, estivemos sentados no chão, à beira da mesa de centro, tomando nosso chá de cravo, ela adora e eu me acostumei com ele, realmente me senti incomodado e coloquei duas almofadas, para que pudéssemos ficar os dois, aqui sentados, olhando pela janela a Lua que já se preparava para dormir no horizonte, repleta de estrelas que iriam agasalha-la. Agasalhei-a também, como fizeram as estralas à Lua, depois de uma noite de amor, de muita paixão, de rolarmos pelo chão, consumamos nosso ato, de prazer e ternura e para cama sonolenta a levei para me deitar ao seu lado, protegendo-a do frio da noite passada.

Antes que o Sol levanta-se, como ela faz de costuma, se fora, não gosta de me incomodar, acordando-me. Ainda vejo as marcas de pneu lá fora no terreno ainda úmido da estrada que desce a colina. Lá se vai o caminho de entregas, também. Sobre a mesa de centro vejo um envelope agora, não tinha percebido antes, em meio à correria desta manhã. Tem por fora escrito: NEOQEAV, nosso código apaixonado de namorados. Nunca esqueça o quanto eu amo você, diz o código. Dentro um bilhete com a letra dela, que diz:
- Amor, o presente é para por no chão de nossa sala, vamos poder ficar, junto sob a luz do Luar.

"O tapete da sala está a nossa espera meu amor, venha assim que puder, teu amado te espera deitado sobre o tapete azul de nossa sala."

Gerson Araujo Almeida

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