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24 de mar de 2012

Meus tristes fins de semana

ruadireita.com/Divulgação.

Fim de semana para mim não tem mais um interesse maior, sinto-me muito só, já desfrutei de dias melhores, quando jovem, tudo era motivo para me lançar nas mais loucas empreitadas. Com os fiéis amigos, fazíamos verdadeiras loucuras, eram farras memoráveis. As meninas da minha rua, algumas metidas a besta, não queriam nada conosco, nem nos olhavam com carinho ou ternura, nos evitavam. Também, aprontávamos com as ditas cujas, magrelas e sem bundas, mal podiam competir com os garanhões sarados e atléticos, que dominavam o pedaço. Havia as gangues rivais, que se aventuravam em namorá-las. Eram ousados os safados invasores de nossa área. Ultrapassavam os limites estipulados e nos desafiavam a todo o tempo.

Nada de anormal, apenas alguns cascudos na cabeça, para lembrá-los que o território era proibido. Quando tínhamos que passar em seus domínios era uma correria danada, os bandos se enfrentavam, eram sacos com água, chingamentos, a mãe de muitos eram lembradas. Quanta troca de insultos, mas nada que viesse a machucar fisicamente, apenas ameaças, enfrentamentos e demonstrações de força dos machões. Cada fim de semana era memorável, temos muitas histórias para contar, quando nos encontramos nos dias de hoje. Que saudade da minha turma bagunceira, aos poucos alguns se foram, mudaram-se para outras localidades e estados deste país continental.

Tenho um amigo de outrora, melhor, dois amigos antigos, um mora em frente a minha casa, no Rio, o outro mais para a esquina ao fim do quarteirão. Um era criado sob a vigilância da mãe, o outro era mais solto, fazíamos muita companhia um ao outro, íamos brincar cada dia numa casa, sempre à tarde, tomávamos sempre um lanche delicioso, oferecidos por nossas mães. A desse amigo do fim da rua era melhor, o pai era mais abastado, e seus brinquedos eram mais interessantes, mais caros.

Hoje acordei saudoso, isso é bom, nos faz voltar no tempo, sabemos que fizemos nossa história, influenciamos pessoas, deixamos lembranças gostosas nas cabeças dos outros. É apenas isso que temos de tesouro, nossas memórias.

Mais um fim de semana, sem ela ao meu lado, deve estar ocupada, sua família precisa, faz parte com ela de seu mundo, sou o seu mundo paralelo, mas quando chegar a hora certa, este apaixonado poeta, se lançará em uma empreitada de valor, como nos tempos de outrora, vencedor e audaz, garanhão e bem capaz de dar amor a esta inesquecível mulher, que meu coração roubou, me fez ver a luz num fim de túnel que pensei não mais sair e me entregar às memórias do passado. Só sei que nosso espaço desejado, está aqui criado, O chá de cravo no armário da cozinha, a chaleira pronta e limpa, o tapete azul da sala, limpo e escovado, nosso cenário sempre pronto e preparado, para mais um encontro de amor e luxúria, para a mulher que me dá a ternura que preciso para viver e sentir, me embriagar de desejos em meio a seus beijos, seu calor, seu despudor do qual sou o único culpado. 

O Sol já vai auto, vou preparar alguma coisa para comer, tenho frango na panela, legumes cozidos, bastante verdura na geladeira, farei uma boa salada, com pepino e tomate, tomate é bom, previne o câncer de próstata, o alface me deixa tonto, tiro sempre uma soneca depois do almoço, mas parece um calmante, depois vou ligar o meu computador, meu MSN vai ficar aberto, quando puder ela entra e deixa uma mensagem, talvez me encontre disponível, quem sabe.

Gerson Araujo Almeida

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